segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Propaganda de bancos imita a de cigarros

É impressionate como a indústria subsiste diante de um sentimento coletivo em sua oposição. Apesar de o brasileiro comum saber dos malefícios que o hábito de fumar traz à sua saúde, a indústria tabagista persiste lucrando. Parte da explicação desse fenômeno se deve à publicidade. Os anúncios de cigarros, hoje bastante limitados, usam de uma estratégia interessante. Ao invés de serem diretos e racionais, eles passam mensagens que raramente citam o produto anunciado.
Esses anúncios falam sobre bem estar, estilo de vida e valores morais que todos nós desejamos. Eles não usam linguagem racional, mas apelam para o emocional dentro do seu público alvo.
Felizmente apesar dessa estratégia inteligente, parece que o poder público tem conseguido diminuir com eficiência a incidência desse vício maldito. Com leis que proíbem fumar em locais públicos, as opções de locais para os fumantes tem se reduzido drásticamente.
Por outro lado, um outro setor da economia, igualmente viciante e nocivo, tem descoberto os prazeres desse tipo de publicidade.
É o setor bancário.
Se prestarmos um pouco de atenção, os anúncios de bancos falam cada vez menos dos seus produtos e cada vez mais mostram crianças loirinhas, sorridentes de olhos azuis a brincar na beira da praia. Eles não falam das taxas de juros e das tarifas, pois o seu público está cada vez mais consciente dos males que esses produtos fazem à sua saúde... financeira!
Quem é que não sabe a arapuca que é um cheque especial? Quem é que se sente confortável com as infindáveis e inexplicadas taxas debitadas da sua conta corrente? Quem é que gosta de passar horas na fila de banco para pagar uma conta de luz?
Os bancos descobriram que não vale a pena levantar essa lebre. O melhor é prometer um mundo cor-de-rosa para o cliente que se dispuser a abrir uma conta corrente. Dar corda para o cliente se enforcar, e depois contratar um escritório de cruéis advogados para extrair o máximo possível do pobre coitado.

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